segunda-feira, 11 de março de 2013

A CORUJA E A PULGA

A coruja semicerra as pestanas de azeviche enquanto as suas pupilas memorizam os sinais exteriores de uma inteligência fugaz. A pulga que saltita de folha em folha disserta sobre as palavras que não ouve e explana, em frases de finíssimas filigranas, o conteúdo de existências banais e a longevidade dos seus silêncios inexplicáveis, à luz da condição humana. A coruja é a imaginação da lucidez e a, pulga, o veículo da sua arquitectura. A elasticidade da pulga é o forno de uma linguagem que a coruja decifra e arquiva nas ramificações dos seus mistérios. A revelação dos seus sinónimos é a semente do tempo que se vive.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Corrigido e copiado do original manuscrito, na Estação do Oriente, em 18 de Dezembro de 2011 e postado, em 19 de Dezembro de 2011.
Postado, neste blogue, em 11 de Março de 2013, na Biblioteca Nacional de Lisboa, entre as 14H32 e as 14H42.

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